quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Palavras Cruzadas

Houve um recente comentário enviado para publicação no blog que eu em vez de publicar no artigo ao qual estaria vinculado coloco abaixo para as minhas considerações e resposta.

"Prezado Irmão Caio!

Vimos tentando "Promover a Libertação da Umbanda", do Sincretismo Católico e do Espiritismo, apesar de ter consciencia que a Umbanda se afirma nos Conceitos e nos Estudos Mediunicos, pela Organização e pela Codificação Kardecista, que embora queira-se contestar, fica evidente e óbvio que é impossível dissociar e não aproveitar dos Trabalhos de tão abnegados Espíritas...
Mas, apesar de concordar com tudo o que expõe, discordo do Título que ostenta de Pai e de Sacerdote, se quer realmente a Liberdade da Umbanda, esta tem que também se livrar dos Termos e Usos que são atributos do Candomblé...
A Umbanda não tem Sacerdortes e nem Pais de Santo, mas sim, Zeladores e Pais no Santo, se é que podemos assim tratar os Orixás...
Sou adepto à Reforma Total e imediata de Desvincular tudo o que não se refere, exclusivamente ao que deve Respeito às Tradições da Umbanda Milenar e ao que nos legou o Caboclo 7 Encruzilhadas.
Lembre-se que o Zélio, nos primórdios da Umbanda no Brasil, não tinha Sincretismo, com nenhum movimento e os Orixás ou Entidades, eram apenas Três (Caboclo, Preto Velho e Criança)...
As Entidades que se inseriu na Umbanda foi por força do Povo do Candomblé, que derivou, que migrou para a Umbanda, juntamente com os Católicos, trazendo essa Miscelania de Erros e Equívocos, que há muito não é necessário.
Não se muda, por Comodismo e por Ignorancia, uma vez que muito poucos querem Estudar, não só a Umbanda como a Mediunidade, através do Espiritismo, que embora não aceite e conteste, não pode refutar e nem negar a Importancia das Obras Espíritas, uma vez que não existe nada similar e tão bem organizado.
Se pretende ser Isento e Coerente com o que prega, deve deixar de Demagogia e fazer na Prática o que tem escrito...
Não se muda o Mundo, se não mudar a própria Casa!!!
Salve todos os Orixás!!!
Salve a Umbanda Sagrada!!!
J Lara Santos
Osasco / SP, 01 / 01 / 2012"

Antes de mais nada gostaria de parabenizar o comentário, pelo destemor e ideais arraigados que defende, a despeito de claramente fazer uma crítica a minha pessoa chegando ao ponto de me chamar de demagogo e de me acusar de não praticar aquilo que escrevo. O que me impressiona é o fato de se concluir tudo isso pelo, conforme foi colocado, o título que ostento de Pai e Sacerdote, quando deveria estar usando, na opinião externada de quem escreveu a condição de Zelador no Santo. Que eu me lembre, me corrijam os leitores mais assíduos do blog e com uma memória melhor que a minha, sempre fiz ressalvas de que independente da denominação adotada, seja Pais, Mães, Zeladores, Chefes, Babalorixás, Yalorixás etc., somos nada mais, nada menos que apenas meros facilitadores, repito FACILITADORES e como tais circunstancialmente estamos a frente de uma coletividade (não importa qual seja o seu tamanho e qualidade), em nome de uma causa maior (no meu caso Umbanda) que é ajudar as pessoas a trabalharem da melhor forma a sua espiritualidade, em busca de algo que as vezes nem elas sabem que estão atrás, ou seja de serem felizes. Baseado nesse ponto de vista pessoal, faço isso tão somente e independente do título e sua origem. Por outro lado, eu não vejo ao precedê-los o meu nome (com Pai e/ou Sacerdote) como ostentação, visto o fato de que pelo menos, no meu caso em particular, levei exatos 27 (vinte e sete anos) de lida religiosa para poder fazê-lo. Eu não tenho nenhum problema com relação a isso. Não me considero acima do bem e do mal, não acho que sou dono da vida das pessoas, procuro ter sempre uma auto-crítica sobre tudo o que faço e reconheço que estou fadado sim, ao erro e as falhas humanas, fora os defeitos que possuo que não são poucos. Não me acho melhor, nem pior do que ninguém, muito pelo contrário sei que terei muita conta para acertar, a diferença talvez esteja que tenho plena consciência disso e estou disposto e pronto para resgatar meus débitos seja eles os que já reconheço e os que ainda descobrirei em algum momento que devo.

O blog, por exemplo, é retrato fiel dos meus ideais, mas mesmos eles estão eivados das diversas circunstâncias, experiências e vivências que tive nesses quase 31 (trinta e um) anos de caminhar no movimento Umbandista e do contato com as religiões afro-brasileiras. Ele é mesmo visceral, minha pena é forte, faço críticas severas a umas tantas coisas, mas sempre coloco como apenas uma opinião individual e jamais, faço questão de ratificar, jamais apresentando-as como verdades absolutas. Como já externei em outros textos, aqui mesmo publicados, o que aqui exponho é muito relativo, a partir de mim mesmo, que sou uma pessoa como todas as outras, envolvida em um processo de evolução espiritual, portanto um ser em contínua metamorfose ambulante (já dizia Raul Seixas), não podendo nada ser considerado definitivo. Assim, uso constantemente a prerrogativa de mudar de opinião a respeito de tudo e o faço sempre que encontro novas facetas e visões válidas e que coloquem por terra as fundamentações e argumentos que um dia usei para alicerçar as minhas crenças, os meus conhecimentos adquiridos e estudos relizados. Não sou fechado ao novo, pelo contrário sou alguém em eterna construção.

Aprendi com o passar do tempo que não posso mudar o mundo, pois as pessoas não mudam apenas porque eu desejo (por mais forte e verdadeiro que eu tenha em mim esse desejo) que elas mudem. Essa mudança tem que partir de cada um. Sim, os exemplo são bem-vindos e desejáveis, mas hoje sei, que existem circunstâncias de vida, situações a revelia da nossa vontasde em que somente é possível fazer isso mesmo, ou seja fazer o que é possível ser feito. Há muito tempo perdi a ingenuidade que revolucionaria a minha vida, a dos outros ou de uma coletividade, imagine então mudar o movimento umbandista?

A única forma que encontrei para não ficar acomodado como você insinua, foi através do blog e dos meus textos. Se isso for demagogia e teoria sem prática, paciência!

Desejo-lhe sorte na sua cruzada!

Quanto a mim, continuo aqui demagogo, pai e sacerdote, sentado no banquinho da teoria sem prática, jogando solitariamente as minhas palavras cruzadas!

Namastê (termo hindu, mais uma coisa que não deveria usar),

Pai Caio de Omulu (Sacerdote umbandista, a despeito do que dizem).

1 Comentários:

Anonymous Alex disse...

Olá, Pai Caio de Omulu.
Primeiramente, parabéns pelo seu trabalho. Não o conheço (ainda), mas já nutri grande admiração pela sua coragem de expor sua legítima fé e defendê-la na internet. Bom, não sou adepto de nenhuma religião específica, embora respeite todas elas e reconheça a importância de cada uma para a sociedade. Nunca fui a um terreiro de umbanda ou de candomblé. Aliás, há diferença de umbanda para candomblé?! Sou leigo total no assunto.
Ultimamente, especialmente nos dias 11 e 12 de fevereiro, surgiu uma vontade imensa de ir a um terreiro. Como eu disse, não tenho religião, embora acredite em Deus, Nossa Senhora, santos, orixás e faça o sinal da cruz sempre que acho necessário. Tive vontade de conhecer um centro espírita e fui a um na semana passada. Adorei, sabe? Sempre me identifiquei com a doutrina, da mesma forma que sempre admirei o candomblé. Adoro o som dos tambores, as batucadas, os ritmos, as energias, o clima, enfim, o universo que domina o ambiente durante as cerimônias. Do jeito que falo, parece que já fui em algum, não é verdade?! Mas, não. Eu ainda não fui, apenas vi alguns vídeos na internet, o que explica minha impressão.
Bom, o senhor pode perguntar a razão pela qual eu ainda não tenha ido. E posso responder! Primeiro: medo. Medo de ir, medo de ser amaldiçoado, medo de me envolver com pessoas erradas e más, medo de me deparar com o sacrifício de alguns animais, medo de ser atormentado por espíritos traiçoeiros. E esse medo não é por eu achar que a religião seja ruim. Não é isso. É pelo fato de eu não saber quem é quem na religião e ter medo de me deparar com alguém que abuse da minha ingenuidade no assunto.
Segundo motivo: o fato de eu conhecer uma pessoa que me leve a um terreiro ou que frequente um. Compreende?! Sou jovem e não conheço nenhuma pessoa declaradamente umbandista, tampouco do candomblé. Repito: há diferença entre os dois termos?! Aí, fico receoso de ir a um ambiente dessa forma: sozinho, sem companhia e correndo o risco de entrar em territórios maus. Antes que pense que este meu medo só ocorra na umbanda, eu afirmo que há pessoas ruins em todos os lugares, em todas as religiões, em todas as igrejas. Não se pode é generalizar.
Terceiro: pavor de chegar a um ambiente e as pessoas me acharem oportunista ou um simples imbecil pelo fato de eu não conhecer as regras da religião. O que posso afirmar é: vou de braços, mente e coração abertos. Com respeito e tolerância com o que posso ver e viver.
Enfim, é isso.
Bom, Pai, pesquisei na internet alguns terreiros. Cheguei a ligar para alguns dele, mas não senti “firmeza” necessária ao ponto de fazer valer uma visita. Como eu disse, não conheço o senhor, não sei nada de sua vida, exceto as experiências compartilhadas aqui no blog. Do mais, não sei quem tu és, o que fazes, onde se reúne nas celebrações de umbanda. Não sei nada. Mas, te digo uma coisa: sua serenidade e seu equilíbrio foram sentidos por mim em suas palavras do blog. Posso estar enganado, mas minha intuição pediu para que eu me acalmasse e deixasse que as coisas ocorressem da forma ideal e no tempo correto. Mais ainda: senti uma energia positiva vinda de suas palavras, razão pela qual te escrevo. Bom, desde já, obrigado pelo espaço democrático que coordena na internet. Gostaria de saber seu telefone e, se possível, marcar um dia de ir ao seu terreiro e conhecer uma sessão de umbanda, desde que você esteja. Confesso (risos): gosto de me sentir seguro onde quer que eu esteja e não suporto a sensação de abandono em qualquer lugar. Bom, depois, como eu falei, quero saber a diferença umbanda X candomblé, assim como quero saber se em seu terreiro são sacrificados animais, se é tomado sangue deles, porque eu, sinceramente, não sou muito simpático a tais práticas. Outra dúvida: vocês crêem em orixás??? No mais, com o tempo, vamos nos falando e tirando mais dúvidas.

p.s.: falei com o senhor ao telefone e muito me tranquilizei com suas sábias palavras.

2:18 AM  

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